Sistema dunar

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Há alturas na vida que nos deparamos com dificuldades impostas por outras identidades que estão directamente ligadas com o nosso quotidiano. Não as crítico por isso, até porque estão a fazer o seu trabalho. Também não tenho nada contra até porque foi graças a elas que descobri o que quero fazer do meu futuro.

Estou num curso onde a cadeira com maior valor e maior respeito é projecto, uma disciplina que avalia a nossa criatividade para projectar espaços exteriores. Estou no segundo ano dessa disciplina e cheguei à conclusão que não tenho muito jeito, infelizmente.

Com esta realidade resolvi reflectir no que queria seguir, no que ocupar os meus dias quando saísse da universidade.

Com algumas aulas no intervalo deste pensamento cheguei a uma conclusão que quero servir e preservar os sistemas dunares.

 

Estes sistemas, como muita gente tem vindo a aperceber-se, devido às sucessivas invasões do mar sobre a placa terrestre as dunas têm adquirido um valor cada vez mais importante no seu papel de protecção. Aquele acontecimento está a adquirir níveis assustadores já que está no leque das consequências directas do aquecimento global.

As dunas são estruturas móveis resultantes da acumulação de areias transportadas pelo vento, nas quais as plantas têm um papel fundamental no seu processo de formação.

Muitos trabalhos têm vindo a ser realizados para a preservação das dunas: desde a construção de passadiços para que as pessoas quando se dirigem para as praias possam passar em carreiros definidos evitando assim o pisoteio aleatório pela duna, a instalação de plantas autóctones ajudando à fixação das areias transportadas pelo vento e pelo mar, a segurança destes sistemas evitando a presença de veículos motorizados nestas áreas…

É esta missão que quero ter na minha vida: Preservar o sistema dunar mantendo saudável a paisagem costeira de um país.

“A limpeza das florestas é um mito”

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Nos dias que correm, é de extrema importância a nossa atenção virar-se para o conceito ecologia.

No decorrer da história do meu curso esta mudança de pensamento é notória. Inicialmente a preocupação dos espaços dentro das cidades era para transpor a natureza de uma forma estética para que o homem pudesse na sua rotina citadina usufruir, quando pudesse, dos elementos naturais que ele tanto necessita.

Hoje, há mais a preocupação ecológica. Essa mudança nota-se quando há um reaproveitamento das espécies pré-existentes, quando há a preocupação com a flora que pertence a essa paisagem, quando usamos materiais reciclados, enfim… quando há uma total preocupação em manter a identidade e ecológica ligada àquele lugar.

Nesta altura do ano, ouve-se muito na televisão o apelo à limpeza das florestas por diversas razões, no qual até dão o exemplo dos fósforos.

Uma publicidade engraçada para as crianças verem e experimentarem em casa.Apesar disso, será que é totalmente verdade o exemplo que sugerem com os fósforos? Então e a acção do vento, não conta?

Como diz o nosso querido mestre Gonçalo Ribeiro Telles “A limpeza da floresta é um mito”.

O lixo que nos mandam limpar nas florestas tem como nome matéria orgânica, essa que por sua fez, faz parte do grande ecossistema dessa mesma floresta.Se nós formos a limpar esses resíduos uma parte da vida que compõe a floresta perde-se, ao mesmo tempo que se anulam as características que a ela pertence. Isto acontece, mais uma vez, à falta de conhecimento por parte do homem sobre essa natureza.

A limpeza da floresta é tão grave como os incêndios. Isto porquê?

Quando retiramos os resíduos do solo, este fica nu, ou seja, sem qualquer protecção contra as acções do vento, da chuva, do homem…

Com as grandes chuvadas, a erosão do solo torna-se um problema. Nestas condições a água quando chega à superfície terrestre bate com grande velocidade no solo impossibilitando a sua infiltração. Com isto, a água escorre no sentido do declive do terreno, provocando, por vezes, inundações na base dessa inclinação.

A limpeza de um espaço só deve ser levanta avante para operações agrícolas, nada mais. As florestas são ecossistemas que vivem para não ter gente, ora, se essa gente vai para dentro dela, os incêndios tornam-se um perigo constante. Daí, parte da consciência de cada um fazer alguma coisa pelo nosso planeta.

(Texto baseado na entrevista a Gonçalo Ribeiro Telles)